Desde os anos 2000, a arquitetura verde tem ganhado cada vez mais espaço em congressos e exposições da área de casa e construção. A preocupação com o impacto que as edificações causam no planeta fazem com que os profissionais passem a buscar formas mais sustentáveis para construir.

Empregar ideias e conceitos relacionados à sustentabilidade significa pensar no meio ambiente e em soluções financeiras e socialmente viáveis, tanto para o planeta quanto para quem vive ou trabalha nesses locais.

Portanto, essa é a uma tendência com muito potencial para continuar conquistando cada vez mais adeptos. Confira, agora, as principais características da arquitetura verde, a sua importância e como começar a implementá-la!

Principais características da arquitetura verde

Como já mencionado, os profissionais que trabalham com arquitetura verde buscam projetar edificações com menor impacto ao meio ambiente, do início ao fim da obra e durante a utilização do lugar construído.

Vale ressaltar que pelo conceito de sustentabilidade passam três pontos: preservação ambiental, viabilidade econômica e valorização social. Ou seja, além da questão do meio ambiente, a arquitetura verde deve proporcionar soluções financeiras interessantes para quem habitará e um impacto social.

As principais características dessa construção é minimizar os efeitos que pode causar ao meio ambiente: diminuindo o uso recursos naturais e resíduos sólidos e dando preferência para matéria-prima encontrada perto do local da obra — que evita a emissão de gases que aumentam o efeito estufa causado pelo transporte do material.

Durante e depois da obra, deve existir a redução do consumo de energia elétrica e utilização de fontes alternativas de eletricidade. Usar materiais ecológicos, reciclados e biodegradáveis, e pensar na economia e reaproveitamento da água, também são atitudes sustentáveis presentes na arquitetura.

Importância de executar esse tipo de projeto

A construção civil tem grande responsabilidade no que tange a extração de recursos naturais, gasto de energia, uso da água, entre outras opções. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que, em âmbito mundial, o setor é responsável por 30% das emissões de gases de efeito estufa, 12% do consumo de água doce e 40% da geração de resíduos sólidos no mundo. Considerar tais dados já são suficientes para se entender a importância de adotar projetos verdes.

Pensando de forma comercial, é possível citar a preocupação crescente das pessoas em diminuir o seu próprio impacto no mundo com atitudes ecológica e socialmente melhores. Podemos perceber que há um movimento em direção à natureza até mesmo nas últimas tendências da decoração, como uso de plantas dentro de casa, elementos que remetam à vegetação e o minimalismo, pregando uma redução do consumismo.

Por fim, o uso de técnicas da arquitetura sustentável são benéficas não só para o planeta, mas também para as pessoas de forma direta. Energia solar, captação de água da chuva e maior uso de vegetação são algumas características que diminuem o consumo (e as contas) de eletricidade e água. Ambientes melhor arejados também contribuem para a salubridade, evitando a proliferação de vírus e bactérias que causam doenças como gripes e alergias.

Implementação da arquitetura verde

Pode parecer complicado implementar a arquitetura verde, considerando todas as variáveis que envolvem os materiais, resíduos e economia de recursos ambientais. Porém, para começar a flertar com esse estilo, um bom começo é entender dois conceitos de eficiência em construções: a norma Casa Passiva e a Arquitetura Bioclimática.

A Casa Passiva ou Passivhaus é um conjunto de estratégias que têm como princípio o aproveitamento da climatização natural e geração de energia por fontes alternativas. Apesar do termo já ser utilizado desde a década de 1970, foi em 1988 que dois arquitetos europeus, o sueco Bo Adamson e o alemão Wolfgang Feist, tornaram a ideia mais conhecida.

Eles criaram uma espécie de certificação e propuseram algumas especificações que podem servir de orientação para os arquitetos que buscam implementar a arquitetura sustentável. Uma Casa Passiva pode economizar até 85% de energia elétrica em climas frios e não precisa de refrigeração ou aquecimento por conta dos materiais utilizados, controle de ventilação e isolamento térmico.

Já a Arquitetura Bioclimática trata da adequação do projeto arquitetônico para as condições climáticas de cada local, aproveitando a luz solar, o vento, a chuva e a vegetação. O sol aquece e ilumina o ambiente, com janelas em posições, tamanho e transparência bem pensadas.

Entradas e saídas de ar possibilitam refrescar e circular o vento por todo o ambiente. Áreas verdes reduzem alagamentos (pois a água é absorvida), refresca e filtra o ar. Os materiais empregados devem ser escolhidos com base na economia de água e energia e até as cores (preferível as claras) precisam ser pensadas para manter uma boa climatização.

Esses são apenas dois conceitos que abrangem diversas áreas da arquitetura sustentável. Como você viu, um cuidado maior no projeto com posicionamento das portas e janelas, e a escolha dos materiais, podem ser o começo para você implementar essa concepção no seu trabalho.

Ideias para inserir em projetos

Algo simples e que pode reduzir consideravelmente o uso e gasto com água é o reaproveitamento das chuvas. Ela pode ser captada através das calhas das casas e edifícios, e armazenada para usar na lavagem de calçadas, descarga do banheiro e irrigação de plantas, gerando uma economia de até 60%.

Ainda sobre economia desse recurso natural, a água cinza é aquela proveniente do banho, das torneiras do banheiro e da lavagem de roupas. Com uma filtragem, ela pode ser utilizada novamente para estes fins, ou ser reaproveitada como a água da chuva. Neste caso, o tratamento é indispensável, pois os produtos químicos presentes em shampoos, sabonetes e amaciantes são prejudiciais ao meio ambiente.

Falando sobre economia de energia, podemos citar os painéis fotovoltaicos e os coletores solares — ambos usam a energia solar: no primeiro caso, para transformar em energia elétrica; e para aquecer a água, na segunda situação. O Brasil tem bastante potencial para o uso desse tipo de energia que é renovável, limpa e com impacto zero no meio ambiente.

O telhado verde é uma tendência que tem aparecido cada vez mais em projetos no Brasil e no mundo e tem conquistados especialmente os amantes da natureza. Isso porque a laje atua como um jardim a mais, mas também faz o isolamento térmico e acústico, ajuda a filtrar a água da chuva, colabora para melhorar o ar em torno da edificação e cria um miniecossistema.

A economia em recursos naturais fica por conta do menor uso de energia para resfriar a casa no verão e dispensa-se o uso de telhas ou qualquer outro material adicional para o telhado.

A arquitetura verde é mais que uma terminologia. É uma nova forma de pensar os projetos e uma oportunidade para refletir sobre o impacto das construções no meio ambiente. Adotar algumas ideias pode abrir novas portas para o trabalho do arquiteto, mas também ajuda a economizar financeiramente a médio e longo prazo.

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