O poder das cores na decoração é enorme. Mesmo recebendo significados diferentes em cada cultura, são capazes de afetar as pessoas independentemente da idade ou de suas percepções. Assim, elas são capazes de enriquecer a experiência de cada indivíduo com um ambiente e de tornar impossível sequer imaginar intervir em nosso entorno sem considerar seu papel.

Além do conhecimento sobre psicologia das cores — que é, sem dúvidas, essencial para fazer as escolhas mais acertadas —, outros fatores objetivos e subjetivos devem fazer parte da análise de arquitetos e designers para aplicação das nuances.

Então, veja neste post maneiras de escolher as cores que serão usadas em cada projeto e encante seus clientes!

Incorpore as cores ao partido arquitetônico

O ideal é tratar a cor desde as primeiras decisões do projeto como um elemento construtivo da mesma importância de outros — como estruturas, vedações ou instalações —, e não apenas na fase de acabamentos. Com isso, fica muito mais fácil compor ambientes criativos e que, de fato, proporcionem identificação.

Quando esse processo não é respeitado, o efeito é o oposto: os ambientes transmitem desconforto e falta de harmonia, o que é prejudicial tanto a espaços residenciais — uma vez que podem afetar a desejada atmosfera de relaxamento — quanto corporativos ou comerciais, pois impactam diretamente sobre as tomadas de decisão do público-alvo ou no nível de concentração dos colaboradores.

Uma escolha integrada de cores na decoração contribui, inclusive, não apenas para respeitar as formas e dimensões dos espaços, mas também para potencializar os conhecidos efeitos causados por cada tom. Dessa maneira, as escolhas são mais coerentes e têm maiores chances de agradar os clientes de imediato!

Distribua-as calculadamente

Como as cores causam impacto direto na decoração e nos usuários dos ambientes, a disposição e a proporção de uso dos tons pelo espaço deve ser estipulada de acordo com a atmosfera que se deseja criar para trazer equilíbrio visual.

Um ponto crucial a considerar é a dimensão do ambiente que será tratado. O excesso de determinadas tonalidades pode causar opressão num lugar compacto, enquanto os locais muito amplos parecem vazios quando não são preenchidos pelas cores na quantidade certa.

O resultado dessa distribuição cuidadosa nem sempre é possível de ser descrita com exatidão, mas certamente pode levar os futuros usuários a se sentirem igualmente acolhidos ou desconfortáveis durante a permanência nos espaços.

É mais ou menos como preparar uma refeição. Cada ingrediente — nesse caso, cada cor —, em sua devida quantidade, adiciona variações que contribuem para um resultado agradável. O segredo para encontrar as medidas perfeitas é a experimentação: aposte nos softwares de modelagem tridimensional para modificar a distribuição de cores na decoração por quantas vezes precisar até atingir o ponto ideal.

Avalie a energia de cada tonalidade

Cada cor exala uma quantidade de energia, que nada mais é do que a sensação transmitida pelos matizes e pela variação de saturação à qual estão submetidos. Isso quer dizer que, mesmo uma cor fria em uma saturação alta, pode ter uma aparência mais eletrizante do que uma cor quente menos saturada.

Assim, é preciso calcular a quantidade de energia de um ambiente de acordo com as necessidades funcionais e psicológicas apresentadas pelos contratantes do projeto. As superfícies nas quais essas quantidades de energia são colocadas também importam quanto ao tamanho, tipo de acabamentos e o papel que ocupam em um ambiente — delimitação, divisão, entre outros.

Agregue cor aos elementos de arquitetura

Usar a última tendência ou a cor do ano não é, necessariamente, garantia de uma boa solução para acertar no seu espaço. Por outro lado, qualquer objeto de mobiliário ou mesmo um elemento construtivo pode se tornar um ponto de interesse incrível ao receber uma cor única no ambiente. Nesse sentido, fugir do óbvio eleva a qualidade do projeto de design.

Às vezes essa linha de raciocínio direciona ao uso de cores mais eletrizantes, mas é importante lembrar que pontos de cor funcionam igualmente bem com tons terrosos ou mesmo pastéis — desde que exerçam hierarquia com relação aos outros elementos da decoração.

Aqui, porém, é preciso ter atenção: para funcionar de maneira eficiente, é importante conhecer bem o seu cliente e descobrir a quais estratégias os gostos e referências pessoais ele está aberto!

Balanceie cores e texturas

Nuances neutras são tratadas de maneira diferente das altamente pigmentadas. Novamente, encontrar o equilíbrio é a chave para elaborar projetos de decoração interessantes com qualquer paleta de cores.

Como cores e texturas estão presentes em qualquer tipo de material, é preciso pensar em todas as superfícies presentes em um ambiente — piso, paredes, mobiliário, móveis — para tornar a contribuição de cada um indispensável para o resultado.

As superfícies maiores são as que direcionam os projetos, o que atribui um papel essencial aos revestimentos. Tradicionalmente, as cores são evitadas nessas bases e as paletas neutras são mais utilizadas para alcançar um resultado mais uniforme. No entanto, as cores têm invadido o mundo dos tapetes e dos acabamentos cerâmicos e permitido soluções capazes de encantar e combinar com qualquer estilo.

As misturas de cores e as estampas são sempre bem-vindas, desde que pensadas de maneira integrada ao restante da decoração e de acordo com os critérios estabelecidos desde as primeiras fases de projeto.

Explore esquemas cromáticos

Existe uma multiplicidade de maneiras de combinar cores originárias do círculo cromático convencional, que servem como base para composições dos mais diversos tipos, como neutras, sóbrias, luminosas, saturadas.

Observar esses esquemas — sejam por triangulação, retangulares, por complementariedade ou analogia — é muito útil na hora de buscar as primeiras inspirações para um novo projeto.

Normalmente, os clientes já têm referências pessoais que os levam a preferir um ou mais esquemas de cores na decoração. Nessa hora, a possibilidade de experimentação por meio de programas de desenho é ainda mais vantajosa, uma vez que é possível explorar as cores livremente e apresentar mais de uma opção para que o cliente possa escolher e acertar na escolha.

Lembre-se da iluminação

Sem luz, não há cores. Portanto, em um bom projeto, as duas devem sempre caminhar juntas. Cabe ao arquiteto ou designer calcular e prever o comportamento das cores na decoração sob diferentes tipos de fontes luminosas.

As diversas lâmpadas existentes no mercado têm características diferentes que devem ser trabalhadas com atenção no projeto para permitir que as cores tenham um comportamento agradável durante as horas noturnas de uso de um ambiente. Cada lâmpada, assim, pode promover mudanças na aparência das cores presentes no espaço.

Essa possível mudança se deve ao fato de que alguns modelos de lâmpadas possuem índices de reprodução de cor (IRC) maiores que de outras. Assim, esse valor também deve ser observado durante a pesquisa e a compra de lâmpadas.

Escolher quais tons usar nos ambientes que projetamos nem sempre é fácil. Como pudemos destacar, é uma tarefa que envolve muitas variáveis, tanto técnicas quanto escolhas pessoais dos clientes.

Um arquiteto ou um designer que se mostre sempre aberto a sugestões consegue conquistar e encantar seus clientes com mais facilidade. Afinal, quando o projeto é elaborado de acordo com cada fator e sem escolhas aleatórias, as chances de sucesso são muito maiores.

Pronto para investir em cores na decoração? Conte nos comentários quais dicas você já usa e quais mais gostou! Até a próxima!